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Há alguns anos, no âmbito de um projeto internacional, uma colega dizia-me que não gostava de mudanças. Prezava muito a estabilidade. De algum modo, eu procurava contrapor lembrando que as mudanças são importantes para nos desafiarmos e para que não nos sintamos acomodados.
O dia 13 de agosto (sexta-feira) ofereceu-me a oportunidade de provar que acredito nos argumentos que utilizava com outra pessoa e noutro contexto. Foi nesse dia que percebi que o meu local de trabalho passaria a ser outro a partir de 1 de setembro de 2021. Após 13 anos na EBI/JI Prof. Dr. Ferrer Correia (e 11 no Agrupamento de Escolas de Miranda do Corvo, na sequência do processo de fusão dos Agrupamentos), é chegada a hora de esvaziar o cacifo e entregar a chave-mestra...
Lembro-me da primeira vez que entrei na escola, ainda durante o mês de agosto, levando comigo o Alexandre, então com 3 meses, ou o nascimento da Beatriz num período um pouco instável do Agrupamento. Lembro os diferentes projetos desenvolvidos, as várias atividades realizadas, as colegas e os colegas com quem partilhamos os sucessos do nosso trabalho e lembro, acima de tudo, as alunas e os alunos que, ao longo destes 13 esperaram de mim que os conduzisse numa aula que não se queria limitada pelas 4 paredes da sala. Ferrer Correia, Semide, Rio de Vide, José Falcão, Centro Educativo e Moinhos foram espaços que sempre me acolheram com sorrisos, aos quais sempre procurei responder.
Não esperava (nem deseja) sair neste momento, mas as circunstância do concurso nacional assim o ditaram. Estou certo que as colegas que agora entram no Agrupamento sentirão o mesmo carinho que eu senti ao longo deste tempo que me viu crecer como profissional e como pessoa. 
É tempo de despedida. Mas gostaria de o fazer com uma palavra de gratidão às mães, aos pais e Encarregadas/os de Educação por se mostrarem sempre tão disponíveis para apoiar todos os projetos, ações, visitas, atividades e por me terem confiado as suas filhas e os seus filhos, para frequência de uma disciplina opcional.
Lembro tod@s @s colegas, sem exceção, que me ajudaram a crescer, que me desafiaram e/ou embarcaram em desafios que lhes lancei. E claro, lembrar a Direção que sempre promoveu a existência de condições necessárias ao sucesso das nossas dinâmicas. Não esqueço a Autarquia de Miranda do Corvo que sempre reconheceu o trabalho realizado, nem os diferentes parceiros locais, regionais e nacionais (não cito, pois não quero correr o risco de ser indelicado e esquecer alguém).
Em jeito de despedida, deixo algumas fotos tiradas hoje e que, de algum modo, me lembram as atividades que levaram perto de uma centena de alunos a deslocar-se a outros países e, muitos mais, a criar relações com colegas de tantos países, a partir da Sala de Aula e, no último ano, a partir das suas casas, que foram uma janela aberta para a Europa. Deste último ano, fica a tristeza do desmembramento atroz de uma sala destinada ao desenvolvimento destes projetos, por parte de quem ignorou, por desconhecimento, a cultura da escola. Mas ficam também (e sobretudo) os girassóis. Uma atividade tão simples quanto as alunas e alunos dos 1º e 2º anos que os semearam, regaram, cuidaram e sempre perguntaram por eles.
Hoje, também eu me sinto como aquelas crianças: grato e muito alegre por sentir que "reguei" e cuidei de cada aluna e de cada aluno que esperava de mim que lhe abrisse a porta do mundo. Espero ter deixado um pouco de mim cada uma delas e em cada um deles. O meu coração levará sempre um pouco deles e delas.



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