A Teoria da Mudança ensina-nos que as pessoas, por norma, são muito resistentes à mudança. Mesmo quando nos queixamos do estado das coisas e afirmamos peremptoriamente que tudo tem de mudar, a verdade é que estamos pouco dispostos a fazer parte da mudança. Esperamos que outros mudem mas que isso não interfira com a nossa vida. Sair da nossa zona de conforto não nos estimula minimamente e provoca em nós uma reação adversa.
Só há uma coisa à qual as pessoas reagem pior do que à mudança: a Diferença. Se olharmos para a História, podemos confirmar que, quem era diferente, era perseguido e a sua vida sempre esteve em risco. Tomemos como exemplo "as bruxas": mulheres, independentes e que não seguiam as normas estandardizadas. Como tal, não era compreendidas pela maioria mainstream. Assim, eras perseguias e queimadas para se acabar com essa diferença. Por isso mesmo, ainda hoje, utilizamos com regularidade o termo "caça às bruxas". Infelizmente, cada vez com mais frequência.
As cidadas mudaram... o país mudou, a Europa mudou, o mundo mudou... e as pessoas ficaram com medo do desconhecido. Sobretudo, ficaram com medo da mudança e, mais ainda, com medo da diferença. Há hábitos novos na rua, roupas diferentes daquelas a que estamos habituado; tons de pele variados. Nas ruas vemos turbantes, pessoas com roupas mais escuras, línguas que não dominamos, hábitos que esvatem diferenças entre mulheres e homens.
Precisamos dessas pessoas mas receamo-las. Sem ela, não temos fruta nos supermercados, não temos obras concluídas, não temos transportes. Em suma, a nossa economia parava. Mas queremos que se escondam. Não aceitamos que ousem aparecer em público. No fundo, queremos que se comportem como aquelas gerações de emigrantes que se juntaram em comunidades, que continuaram a assar as sardinhas e a importar Sagras e Superbock, como se o país que os acolheu não tivessem cervejas infinitamente melhores. Precisamos delas mas queremos que sejam apenas mão-de-obra (barata, de preferência, já que a escravatura é ilegal).
Quando alguns começam a usar desinformação contra essas pessoas, a ignorância vence e o nosso medo da diferença torna-se superior ao medo de mudar, provocando uma união contra o "inimigo" comum. O que importa é atacar as "bruxas" do nosso tempo que colocam em causa o nosso modo de vida (o que quer que isso signifique).
Portugal em 2025 não é igual ao de 2020... nem ao de 1986... nem ao de 1920... nem ao de 1755... nem ao de 1640... nem ao de 1480... nem ao de 1143... sempre houve mudança. sempre altermos os nossos costumes, acolhendo as novidades e adaptando o que tínhamos. E, com isso, tornámo-nos melhores. Infelizmente, estamos encalhados numa ponta da Europa. Para sair daqui precisamos de muitas horas de comboio, de carro, de autocarro ou de alguma dinheiro para viagens de autocarro. Mas é isso que falta aos portugueses... falta-nos Mundo. Falta perceber que a nossa comida é excelente... mas que a Paella é divina, o Boef Bourgignon é soberbo, a baklava com gelado de leite de cabra da Turquia tem um sabor inigualável, que o caril oriental confere um saber único às comidas. E, com isso, podemos enriquercer-nos culturalmente, sem desprezar os nossos Pastéis de nata, as nossas sardinhas, o nosso bacalhau à Zé do Pipo.
A diferença não é uma ameaça, é um enriquecimento e não podemos desistir de ensinar que, como disse Camões, "Todo o mundo é composto de mudança".
(imagem gerada por IA)

Comentários