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Coimbra, 3 de Fevereiro de 2005 – 22:30

O dia está a acabar. Foi uma jornada normal, que começou às sete da manhã. De seguida, entrada no carro e viagem em direcção a Pedrógão Grande. A meio caminho, a primeira situação desagradável: obras na estrada (das 8:00 às 17:00 como é típico dos países latinos). Numa direcção estrada vazia e sinal verde, do outro, fila considerável e vermelho. Numa série sobre a Bíblia, o faraó diz a Sara, mulher de Abraão, que o poder de um povo se encontra na sua EDUCAÇÃO. Passados vários séculos, este pensamento ainda não entrou nas cogitações dos portugueses. Os nossos alunos anseiam pelo fim da escolaridade obrigatória, porque apenas desejam ir ganhar dinheiro. Ao mesmo tempo, olhamos para a china ou para os países de leste para onde se deslocalizam algumas empresas. Esquecemos, no entanto, que nesses países a mão-de-obra é altamente qualificada. A educação está no topo das prioridades o que se reflecte nas técnicas de produção utilizadas. Por cá, o único desejo é encontrar um trabalho, seja como mecânico, embora não saiba ligar um chip de um carro a um computador, seja como trabalhador florestal, ainda que não possa tirar a carta de pesados por falta de habilitações, ou ir trabalhar para as obras, mesmo que obrigue centenas de pessoas a ficar presas numa fila, simplesmente porque não faz a mínima ideias de como alterar a programação de semáforos de obras.
Na escola, os mesmos alunos desinteressados, mal-educados (por vezes), utilizando uma linguagem boçal e completamente inadequada, seja perante colegas ou junto a professores e funcionários. Para continuar bem, envio para casa de alguns encarregados de educação as faltas dadas pelos alunos. Um deles com mais de 100 faltas. Não é erro. Eu vou repetir para confirmar: 100 faltas. Estes alunos não sabem escrever uma frase sem erros, não têm destreza manual, não percebem nada de computadores… O objectivo: atingir os quinze anos, para poderem ir trabalhar para os carros de choque, onde vão ganhar 400€/mês. E julgam que têm o futuro garantido…
No final de um dia de trabalho, a hora da chegada a casa é sempre agradável. É o nosso espaço, com as nossas coisas, a nossa comida e, o nosso correio… Acabara de ouvir o debate entre Santana Lopes e José Sócrates: debate sem novidades, morno e completamente inútil. É então que abro a caixa do correio onde esperava encontrar o primeiro número de uma assinatura de DVD’s (a Bíblia que acima referi). Imaginem a minha decepção quando a única coisa que encontro é lixo eleitoral: o nosso Paulinho das Feiras, com um sorriso plástico e cínico (autenticamente beto), acompanhado pelo seu “elenco ministerial” – isto é piada do PP, não minha, pois seria de muito mau gosto… Curioso é que ao olhar para a imagem me lembrei de um espaço comercial existente em Pombal: o Cosy Bowling. Quem me arranja uma bola?...

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