Qualquer professor gosta de ter alunos que atinjam facilmente o sucesso académico. Criar exercícios e atividades difíceis é muito estimulante para esses alunos e para nós professores. Mas sejamos realistas: quanto alunos destes conseguimos ter ao longo de cada ano de escolaridade? 2, 3? E todos os outros, o que fazemos por eles? Nas reuniões de avaliação que se aproximam serão reproduzidas até à exaustão as mesmas frases que vão circulando ao longo do período na sala de professores. Queixas que os alunos não trabalham, não se esforçam e têm maus resultados. Na maior parte das vezes o que fazemos? Continuamos a trabalhar para os 2 ou 3 que nos estimulam... Recentemente, o Papa Francisco referiu que os cristão deveriam procurar aqueles que estão nas margens (ou talvez à margem...). Para mim, na escola, essas margens serão provavelmente os alunos que não querem estar na sala de aula e para junto dos quais eu devo fazer o esforço de me deslocar. Isso vai exigir que eu saia do conforto do meu espaço, da minha sala alinhada, dos meus exercício pré-fabricado. Mas no final, quando regressar das margens, "empoeirado" e, talvez, "enlameado" certamente que me sentirei muito mais estimulado do que pensava... e ainda serei capaz de recordar que Belém também ficava nas margens!
A Teoria da Mudança ensina-nos que as pessoas, por norma, são muito resistentes à mudança. Mesmo quando nos queixamos do estado das coisas e afirmamos peremptoriamente que tudo tem de mudar, a verdade é que estamos pouco dispostos a fazer parte da mudança. Esperamos que outros mudem mas que isso não interfira com a nossa vida. Sair da nossa zona de conforto não nos estimula minimamente e provoca em nós uma reação adversa. Só há uma coisa à qual as pessoas reagem pior do que à mudança: a Diferença. Se olharmos para a História, podemos confirmar que, quem era diferente, era perseguido e a sua vida sempre esteve em risco. Tomemos como exemplo "as bruxas": mulheres, independentes e que não seguiam as normas estandardizadas. Como tal, não era compreendidas pela maioria mainstream . Assim, eras perseguias e queimadas para se acabar com essa diferença. Por isso mesmo, ainda hoje, utilizamos com regularidade o termo "caça às bruxas". Infelizmente, cada vez com mais frequê...

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