Qualquer professor gosta de ter alunos que atinjam facilmente o sucesso académico. Criar exercícios e atividades difíceis é muito estimulante para esses alunos e para nós professores. Mas sejamos realistas: quanto alunos destes conseguimos ter ao longo de cada ano de escolaridade? 2, 3? E todos os outros, o que fazemos por eles? Nas reuniões de avaliação que se aproximam serão reproduzidas até à exaustão as mesmas frases que vão circulando ao longo do período na sala de professores. Queixas que os alunos não trabalham, não se esforçam e têm maus resultados. Na maior parte das vezes o que fazemos? Continuamos a trabalhar para os 2 ou 3 que nos estimulam... Recentemente, o Papa Francisco referiu que os cristão deveriam procurar aqueles que estão nas margens (ou talvez à margem...). Para mim, na escola, essas margens serão provavelmente os alunos que não querem estar na sala de aula e para junto dos quais eu devo fazer o esforço de me deslocar. Isso vai exigir que eu saia do conforto do meu espaço, da minha sala alinhada, dos meus exercício pré-fabricado. Mas no final, quando regressar das margens, "empoeirado" e, talvez, "enlameado" certamente que me sentirei muito mais estimulado do que pensava... e ainda serei capaz de recordar que Belém também ficava nas margens!
CARAS/OS ALUNAS/OS: Ainda que os diplomas que vão receber esta noite tenham o vosso nome (e com mérito), não devem pensar que eles se devem apenas a vós. Conhecemos a expressão: se queres ir depressa vai sozinho… se queres ir longe, leva companhia. Ao longo destes anos, têm tido sempre companhia que vos apoia, de forma mais ou menos visível e que é fundamental. Importa não esquecer. Em primeiro lugar: a família. O lugar onde a Educação se inicia sempre e que garante que tudo o que virá a seguir terá sustentação. Depois, os professores: exigentes, amigos, companheiros, por vezes mais refilões, ou, como eu, mais mal humorados (temos dias). Mas, independentemente de tudo, e acima de tudo, preocupados convosco e com a vossa formação. Todos somos diferentes mas, cada um contribui de forma diferente. E todas as formas de contribuir são legítimas e ajudam-vos a crescer melhor e em todos os sentidos. E essa é a grande riqueza da Escola Pública. Não podemos esquecer as psicólogas es...

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